Presa por furto de material do laboratório de virologia é professora doutora da Unicamp
24/03/2026
(Foto: Reprodução) Presa por furto de material do laboratório de virologia é professora doutora da Unicamp
A mulher presa em flagrante pela Polícia Federal (PF), na tarde desta segunda‑feira (23), suspeita de furtar material biológico da Unicamp é professora doutora na Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da universidade.
Soledad Palameta Miller é suspeita de levar sem autorização amostras de vírus de um laboratório do Instituto de Biologia da Unicamp para outros laboratórios dentro da mesma universidade.
O material estava desaparecido desde o dia 13 de fevereiro e foi recuperado, na segunda-feira (23), durante operação da Polícia Federal. O motivo do suposto furto não foi informado pelas autoridades.
Cronologia
13 de fevereiro: amostras de vírus somem do laboratório de virologia do Instituto de Biologia da Unicamp
23 de março: laboratórios da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp são interditados pela Polícia Federal para cumprimento de mandados de busca
23 de março: PF encontra parte do material desaparecido nos laboratórios interditados e a pesquisadora é presa em flagrante
24 de março: PF localiza o restante das amostras em outro laboratório do Instituto de Biologia. A suspeita não tinha autorização de acesso a nenhum dos locais onde as amostras estavam, mas conseguia entrar com a ajuda e consentimentos de outros pesquisadores.
24 de março: Justiça concede liberdade a Soledad e decisão menciona que amostras eram de vírus
Soledad Palameta Miller tem 36 anos, é natural da Argentina e vai responder criminalmente por furto, por expor a perigo a vida e saúde de outras pessoas, por transporte irregular de organismo geneticamente modificado e por fraude processual.
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O advogado de defesa da pesquisadora, Pedro de Mattos Russo, afirmou que não há materialidade de furto e que Miller utilizava o laboratório do Instituto de Biologia por não possuir estrutura própria. A Unicamp informou que investiga internamente o fato.
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A professora doutora Soledad Palameta Miller foi presa suspeita de furtar material biológico de um laboratório na Unicamp
Reprodução
Material recuperado
A PF informou que o material biológico furtado do Laboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada do Instituto de Biologia da Unicamp foi recuperado e "encaminhado ao Ministério da Agricultura e Pecuária para análise", que não comentou o caso até esta publicação.
O laboratório de onde as amostras foram levadas opera no nível 3 de biossegurança (NB-3), que é o mais rigoroso existente no Brasil. Unidades com esta certificação são destinadas a estudar materiais de alto risco para o indivíduo e risco moderado para a comunidade - saiba mais abaixo.
A pesquisadora
Segundo o portal do Docente e Pesquisador da Unicamp, Miller coordena, atualmente, o Laboratório de Virologia e Biotecnologia em Alimentos em linhas de pesquisa orientadas à vigilância epidemiológica e desenvolvimento de diagnósticos e terapias relacionadas aos vírus transmitidos por alimentos e água.
➡ A pesquisadora atuou como analista no Laboratório Nacional de Biociências do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) em projetos na área de engenharia de vetores virais, imunomodulação e anticorpos monoclonais dirigidos para terapia de câncer.
Ela também realizou pós-doutorado no Laboratório de Virologia da Unicamp em projetos relacionados ao desenvolvimento de vacinas vetorizadas, protótipos de testes rápidos para diagnóstico de doenças aviárias e estabelecimento de modelos alternativos para diagnóstico e produção de vacinas veterinárias.
O que é o material?
Órgãos públicos como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a Polícia Federal, o Ministério da Agricultura e a Unicamp mantêm sob sigilo as informações sobre o material biológico furtado.
Procuradas pelo g1, as instituições informaram que a apuração está sob responsabilidade da Polícia Federal e que, por isso, apenas o órgão pode se manifestar.
Por quais crimes ela vai responder?
De acordo com o documento da Justiça Federal que confirma a prisão em flagrante, Miller é suspeita de:
furto: subtrair para si ou para outrem coisa alheia
expor a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente, que prevê pena de detenção,de três meses a um ano, se o fato não constitui crime mais grave;
fraude processual, alterar o estado de lugar, de coisa ou de pessoa, para induzir juiz ou perito a erro, que prevê pena de detenção de três meses a dois anos e multa;
produzir, armazenar, transportar, comercializar, importar ou exportar organismos Geneticamente Modificados (OGM) ou seus derivados, sem autorização ou em desacordo com as normas estabelecidas pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) e pelos órgãos e entidades de registro e fiscalização, que prevê pena de reclusão de 1 a 2 anos e multa.
Níveis de biossegurança
Instituto de Biologia da Unicamp
Reprodução/EPTV
➡️ O laboratório onde teria ocorrido o furto possui centros que operam com níveis 2 e 3 de biossegurança (NB-2 e NB-3). Mas, segundo documento da Polícia Federal, as amostras furtadas estavam abrigadas no NB-3. Entenda a seguir o que são essas categorias de risco:
Classe de risco 2 (moderado risco para o indivíduo e baixo para a comunidade): segundo o Ministério da Saúde, inclui agentes que podem causar infecções em humanos ou animais, mas se espalham pouco e têm tratamentos e prevenções eficazes. Exemplos: Schistosoma mansoni e vírus da rubéola.
Classe de risco 3 (alto risco para o indivíduo e risco moderado para a comunidade): são agentes que podem causar doenças graves ou letais, transmitidos especialmente pelo ar, e podem se espalhar na comunidade, embora existam medidas de prevenção e tratamento. Exemplos: Bacillus anthracis e vírus da imunodeficiência humana (HIV).
Interdição de laboratórios
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Junia Vasconcelos/EPTV
Todos os laboratórios da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) foram interditados na manhã de segunda-feira (23). De acordo com a PF, dois mandados de busca e apreensão foram cumpridos para localizar o material biológico furtado.
A desinterdição dos laboratórios ocorreu no início da tarde de segunda-feira. Segundo a PF, a própria universidade comunicou o desaparecimento das amostras, o que levou à abertura do inquérito policial.
A reitoria da Unicamp afirmou, também na segunda-feira, que o furto ocorreu nas dependências do Instituto de Biologia, com possíveis consequências para as atividades da FEA.
"Em razão da gravidade do fato e da natureza do patrimônio científico envolvido, a Instituição acionou prontamente a Polícia Federal e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a condução das investigações e procedimentos periciais necessários", informou.
As aulas na graduação e nos laboratórios de ensino foram mantidas.
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