Motorista alvo de tiros na Anhanguera diz que CAC fechou carro e impediu ultrapassagem
05/08/2026
(Foto: Reprodução) CAC é preso por atirar contra motorista por aplicativo na Anhanguera
O motorista por aplicativo que foi alvo de disparos após uma briga de trânsito na Rodovia Anhanguera afirmou à Polícia Civil que o suspeito fez uma sequência de manobras antes dos tiros, incluindo uma "fechada" e uma tentativa de impedir uma ultrapassagem. As informações estão no boletim de ocorrência registrado pela vítima.
(CORREÇÃO: ao publicar esta reportagem, o g1 errou ao informar que a prisão ocorreu em Americana (SP). Na verdade, o suspeito foi detido em Campinas. A informação foi corrigida às 13h18.)
O caso aconteceu na sexta-feira (31) e ninguém ficou ferido. O homem, identificado pela Polícia Civil como Gustavo Henrique Ardito, registrado como Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC), foi preso nesta quarta (5) durante a Operação Torque Letal em Campinas (SP). A investigação apura tentativa de homicídio qualificado.
Em nota, a defesa informou que já solicitou o acesso aos autos, mas que ainda não teve acesso. "Desde já, afirmo que a defesa tem total confiança na justiça e comprovará, baseada nos fatos ocorridos, a completa inocência do acusado", completou.
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"Os detalhes, as circunstâncias da discussão, ainda precisam ser apurados, mas inicialmente a polícia trabalha com manobras arriscadas, eventualmente realizadas por ambas as partes, que deram início a essa contenda. Ambos os envolvidos relataram que os fatos se deram em decorrência de uma discussão de trânsito", afirmou o delegado Eduardo Salge.
🔎 CAC é uma pessoa autorizada a possuir armas para atividades específicas, como coleção, prática esportiva em clubes de tiro ou caça, quando permitida por lei. O porte de arma não é liberado de forma geral: o transporte deve seguir regras específicas previstas na legislação.
O que a vítima disse à polícia
A vítima contou à polícia que seguia pela faixa da esquerda da rodovia, no sentido Capital, logo após passar pela praça de pedágio, quando percebeu que um Toyota Corolla preto passou a acompanhá-la a uma curta distância.
O Corolla teria ultrapassado o carro e freado bruscamente, obrigando o motorista por aplicativo e outros veículos a reduzir a velocidade. Quando a vítima tentou fazer uma ultrapassagem, o outro condutor acelerou para impedir a manobra. Os dois veículos ficaram emparelhados, momento em que o motorista por aplicativo disse ter questionado o suspeito sobre a forma como ele dirigia.
Ainda de acordo com o registro policial, nas proximidades da saída 90 da Rodovia Anhanguera, a vítima ouviu ao menos cinco estampidos semelhantes a disparos de arma. Logo depois, percebeu que o pneu traseiro direito do carro havia sido atingido. Também relatou que as luzes de advertência dos sistemas ABS e airbagsa acenderam no painel.
O boletim de ocorrência informa que o condutor de uma Fiat Fiorino parou mais adiante e disse ter visto o motorista do Corolla sacar uma arma pela janela do veículo e atirar em direção ao carro da vítima. A testemunha também afirmou ter ouvido os disparos.
"Os cinco disparos contra a vítima não ,a atingiram por circunstâncias alheias à vontade do agente, uma vez que, considerando a velocidade de ambos os veículos, aproximadamente 100 km por hora, ainda que o agente não tenha apontado a arma em direção à vítima, poderia ocasionar um estouro do pneu que poderia ocasionar um acidente grave", diz o delegado.
Imagens foram entregues à polícia
CAC é preso por suspeita de tentar matar motorista por aplicativo após briga de trânsito na Anhanguera
Imagens cedidas
O motorista por aplicativo informou à polícia que mantém uma câmera instalada no veículo por questões de segurança e entregou as gravações aos investigadores:
as imagens mostram a vítima dirigindo pela rodovia (assista acima);
o carro do investigado, um veículo preto, se aproximando pela faixa da direita (esquerda do vídeo);
Gustavo aparecendo na janela com a arma apontada em direção ao veículo de aplicativo.
A partir das imagens, especialmente da placa do Corolla, a Polícia Civil identificou o proprietário do veículo como Gustavo Henrique Ardito.
Durante o cumprimento dos mandados na casa do investigado, os policiais apreenderam 11 armas de fogo registradas, munições, aparelhos eletrônicos e outros materiais que serão periciados.
No dia da ocorrência, a Polícia Civil entrou com os pedidos de prisão temporária e de busca e apreensão. Os mandados foram cumpridos na casa do suspeito, em um condomínio, nesta quarta.
"O problema não se dá pelo fato de ele ser CAC, e sim por descumprir as regras de trânsito, uma vez que essas regras permitem apenas que ele utilize arma de fogo dentro de sua residência e no trajeto, de forma desmuniciada, até o clube de tiro", afirmou o delegado Eduardo Salge.
De acordo com a polícia, os disparos colocaram em risco não apenas a vida do motorista de aplicativo, mas também a de outros usuários da Rodovia Anhanguera. A Polícia Civil informou que o material apreendido deve ajudar no esclarecimento dos fatos e na continuidade das investigações.
O boletim de ocorrência foi registrado pela vítima em Americana (SP).
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