American e United ficam com 8% da Azul após aporte de US$ 100 milhões em plano de recuperação
23/02/2026
(Foto: Reprodução) American e United ficam com 8% da Azul após aporte de US$ 100 milhões
A Azul Linhas Aéreas informou, nesta segunda-feira (23), que as companhias norte-americanas American Airlines e United Airlines terão, cada uma, 8% das ações da companhia com os aportes de 100 milhões de dólares anunciados no dia 19 de fevereiro. No caso da American, o acordo ainda precisa ser aprovado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
O CEO da Azul, John Rodgerson, conversou com jornalistas nesta segunda para detalhar a saída do Chapter 11, o Capítulo 11 da Lei de Falências dos Estados Unidos - mecanismo semelhante à recuperação judicial no Brasil.
Segundo Rodgerson, a United já era parceira da companhia brasileira há cerca de 12 anos e participou do conselho da empresa nesse período.
Agora, com a nova estrutura societária, American e United passarão a ser “acionistas de referência”, embora nenhuma das duas tenha direito automático a indicar membros ao conselho — condição prevista dentro do plano aprovado na Justiça dos Estados Unidos.
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Novo 'codeshare'
Além do aporte financeiro, o acordo também envolve ampliação de parcerias comerciais. A Azul mantém um acordo de compartilhamento de voos (codeshare) com a United, e agora deverá adotar um modelo semelhante com a American.
"Já temos um codeshare há mais de 12 anos já com o United, e sim, nós temos um acordo para ter isso também com o American Airlines como um novo parceiro nosso. Então, isso é natural, eles vão fazer parte da nossa base acionária e também é um acordo comercial", explicou o CEO.
Apesar do anúncio, Rodgerson não detalhou o acordo e explicou que ele ainda deve passar pela aprovação do Cade.
"Eu acho que a ideia pode ser similar ao que nós já temos com o United. E se tem que passar pela aprovação do Cade, vai passar e faz parte. É um acordo comercial como qualquer outro", completou.
A saída do Chapter 11 foi anunciada na noite de sexta-feira (20) pela companhia aérea brasileira. No comunicado, a companhia destacou que o processo foi concluído em nove meses.
Antes mesmo de anunciar o fim da recuperação judicial, a Azul havia anunciado três acordos para investimentos de 300 milhões de dólares, feitos pelas duas empresas aéreas norte-americanas, além de outros credores, como parte do processo de recuperação judicial.
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Resultados apresentados
Azul diz recuperação judicial reduziu dívida de empréstimos e financiamentos em US$ 1,1 bi
O processo de recuperação judicial finalizado pela Azul Linhas Aéreas significou, segundo o comunicado da companhia, redução de cerca de 1,1 bilhão de dólares nas dívidas de empréstimos e financiamentos.
Somada à queda nas obrigações de arrendamento (aluguel) de aeronaves, que foi de cerca de 40%, a redução nos dividendos chega a aproximadamente 2,5 bilhões de dólares. Além disso, a companhia afirmou que saiu do processo com 850 milhões de dólares em novos investimentos em ações.
Em maio de 2025, quando anunciou o início da recuperação judicial, a empresa estimava a eliminação de mais de 2 bilhões de dólares (cerca de R$ 11,28 bilhões) e o aporte financeiro de 950 milhões de dólares.
Os outros resultados indicados pela companhia são:
redução dos pagamentos anuais de juros em mais de 50% em comparação aos níveis anteriores ao Capítulo 11;
redução em cerca de um terço dos custos recorrentes com arrendamento de aeronaves;
captação de aproximadamente 1,375 bilhão de dólares da emissão de Notas Seniors e 950 milhões de dólares por meio de compromissos em equity.
Imagem de arquivo mostra avião da Azul no aeroporto de Fernando de Noronha
Ana Clara Marinho/g1
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